Viajando sobre duas rodas

O GOSTO POR MOTOS

Uma paixão da juventude que se estendeu até os dias de hoje. Alaor Junqueira, 70 anos, advogado aposentado e apaixonado por motos nasceu em Anápolis, cidade a 55 km de Goiânia, capital de Goiás, onde reside atualmente. Foi justamente em cima de uma moto que Alaor conheceu outra paixão sua, Beth. Casados há 45 anos, Beth e Alaor construíram uma família grande: seis filhos e sete netos.

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Luiz Fernando, neto mais novo de Alaor, em cima da Morena

Ainda que o interesse pelas duas rodas tenha começado “na mocidade”, como diz o próprio Alaor, foi só no ano 2000, depois de se aposentar, que ele pode realizar o sonho de pegar a estrada e viajar com sua moto. E, nesse momento, a força da família foi muito importante. “A Beth é uma mulher que apoia e incentiva minhas viagens, como fazem também os filhos e netos. Esse apoio, acreditem, é primordial para viajar com tranquilidade e paz de espírito”, conta.

AS VIAGENS

Inicialmente, Alaor manteve as viagens dentro do estado de Goiás e do Distrito Federal, sempre na companhia de um grande amigo anapolino, Damião Nonato, também advogado e também amante das motos. “Para manter esse tipo de hobby, a companhia certa é essencial para que a viagem garanta qualidade e excepcionalidade. O Damião é essa companhia, com seu senso de localização e memória invejáveis para guardar roteiros e nomes de cidade. A nossa primeira viagem mais longa foi para Vila Velha, no Espírito Santo, quando visitamos um sobrinho meu, André, pessoa de um grande carisma. Essa viagem deixou muita saudade! O nosso retorno a Vila Velha continua nos planos. Nos aguarde, André!”

“Após essa viagem ganhamos experiência e tiramos algumas conclusões. O sucesso das viagens depende da programação. Nossa programação é objetiva: marcamos o destino, a data e a hora de saída. A partir daí, nada mais de definir tempo. Não temos hora e dia de chegada em nenhum lugar. Paramos quantas vezes der vontade, num posto, debaixo de uma sombra convidativa, ou mesmo à margem de um rio. Viajar sossegado curtindo o passeio, os lugares. Nada de delimitar distância e tempo a ser percorrido por dia. Horário de parar é a hora que a noite começa a avisar que está por chegar. Paramos, buscamos um lugar para nos acomodar, deixamos a noite para, depois de uma costumeira cervejinha, descansar e, amanhecendo  o dia, botar as máquinas na estrada. Já fizemos viagens inesquecíveis para os estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Paraná, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. No Paraná não atravessamos a Ponte da Amizade, apesar de lá estarmos. É sempre bom deixar um lugar para trás, para ter a desculpa de voltar. A nossa maior preocupação numa viagem é nunca ter hora de chegar a lugar nenhum. Definir hora de chegar a qualquer cidade só faz você perder a paisagem, sem contar os transtornos que podem causar a pressa. Se devagar se vai longe, sempre conferimos o ditado. Quando brota a saudade do lar é hora de ir embora.”

Além das paisagens, conhecer novas pessoas, costumes e, principalmente, se sentir livre, são outras motivações de Alaor. “Não tem nada melhor que pilotar motos em estradas que você não conhece. Sentindo o vento que te deixa mais próximo a natureza, você tem tempo de refletir a vida, o que fez, o que tem por fazer, lembrar os amigos, a família. A distância acaba nos aproximando mais deles, tendo o ronco do motor como única testemunha. Isso é liberdade.”

“Também tivemos um encontro interessante com um jovem casal boliviano, que viajava numa moto 150cc, carregada de bagagem, com destino a Brasília, para onde íamos também, para o evento do Moto Capital. Simpáticos, com muitas histórias e felizes por conhecerem o Brasil. Uma das melhores coisas nessas viagens é a oportunidade de conhecer pessoas diferentes, alegres e aventureiros, todos com algo em comum: o amor por motos.”

Mas, claro, todo viagem precisa de cuidados, e é isso que Alaor faz antes de sair em mais uma aventura com a sua Honda Shadow, ano 2005, 600cc, motor 4 tempos, 2 cilindros em V, refrigeração líquida, 5 marchas, tanque com autonomia de 11 litros, apelidada carinhosamente de Morena. “Para uma viagem longa costumo fazer uma revisão completa, com pelo menos uma semana de antecedência para garantir a qualidade do serviço. Óleo, freio e parte elétrica, com o cuidado de marcar a quilometragem rodada, para efetuar as trocas de óleo durante a viagem. Na última viagem mudei a transmissão original dela de corrente para correia. Foi o melhor que aconteceu com ela desde que a adquiri. Arrependimento grande de não ter feito isso antes.”

DIAS DE HOJE

Alaor quer continuar viajando pelo Brasil com sua Morena. “Não tenho pretensão de viagens ao exterior como muitos fazem. Nosso país é muito grande e tem lugares extremamente atrativos para se conhecer. Não acho excepcional o que eu faço, uma vez que existem motociclistas com mais idade que eu e que fazem viagens maiores que as minhas. Quanto a mim e meu amigo Damião, companheiro inseparável, continuaremos curtindo motos e fazendo viagens anualmente por esse Brasil afora, enquanto a saúde e a vida permitir.”

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